quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Música e Espiritismo






Música e Espiritismo


O que pensamos sobre música e espiritismo?

Muito se questiona a respeito da música espírita ou não espírita, como se deve proceder nesse campo, se devemos apenas executar músicas espíritas, como identificamos a música espírita e, finalmente, se há, na música popular, aquelas de conteúdo espírita. Primeiramente, consideremos um fato: Como saber que a música é espírita? Será pelo ritmo, será pela melodia? Será pela letra? Como se trata de comunicação não verbal, fica difícil para aquele que não é músico distingui-la, se não vejamos, dá para se dizer, apenas pela música, dizer se um rock progressivo, como o do Yes ou uma música de meditação como a de Nando Cordel, ou ainda uma obra de Debussy ou Vivaldi, é ou não espírita? E o Pierrot Lunaire de Schoenberg, completamente atonal, poderemos dizê-la celeste ou não? Posso garantir que NÃO dá.

Com relação ao ritmo acontece a mesma coisa, ele não tem religião, não tem viés político nem ideológico. Existem os calmantes e os irritantes. Dá para se dizer se são espíritas? TAMBÉM NÃO! Como disse Noel Rosa, através de Marta Gallego Thomas, não é a melodia que incentiva a maldade ou a corrupção, em samba ou sinfonia, mostra o cantador sua evolução. Então, resta-nos a letra, que, por sinal, pertence a outra forma de arte: A Literatura e, conforme Kardec nos adverte, devemos passá-la pelo crivo da razão. Na lição de Nazareno Tourinho, em seu Dramaturgia Espírita, demonstra que o Teatro Espírita defende uma tese. A mesma coisa acontece com a canção espírita. Vejamos na canção criada no meio espírita e no meio popular se ela se coaduna com a tese espírita e essa canção terá conteúdo espírita.

Pessoalmente, divido a Arte, no geral, e a Música, em particular em: Intencionalmente Espírita, aquela que o músico é espírita e a faz para divulgar o espiritismo. Ex. As canções do Grupo Semente, GAN, Série Harmonia de Nando Cordel, Música para o Evangelho de Nando Cordel, Músicas de Moacyr Camargo, Marielza Tiscate, César Tucci e outros tantos espalhados pelo Brasil Afora. Música de Conteúdo Espírita, aquela que o autor não é espírita, mas a letra tem um ponto de contato com a Doutrina, exemplos: Se Eu Quiser Falar Com Deus, Encontros e Despedidas. Música Religiosa, A Música Sacra, As Músicas das Igrejas Católica e Evangélica, os Mantrans Indianos, etc. Música Comum ou Profana: As Demais. A Revista Cristã de Espiritismo, Especial Música Volume 1, divide a música em tópicos: Música para Ambientação – Ex.: Série Meditação de Nando Cordel, Immortality de Andrey Chechelero, Clair de La Lune, de Debussy, Ave Maria de Gounod, entre outras, são aquelas para se tocar antes de uma palestra, à mesa mediúnica (nas casas que assim procedem, porém, é dispensável), enfim, para harmonizar o ambiente, deve ser calmante. Música para integração – São as que são tocadas em encontros de Mocidades Espíritas, estilo livre, servindo para integrar os participantes da Mocidade, do Encontro, do ESDE, etc. Ex.: Alegria Cristã, do GAN, as músicas de Flávio Fonseca, de Moacyr Camargo. Música para Evangelização – Aquelas destinadas para o público infantil, para a Evangelização da Infância: EX. CDs Coração de Criança, Grupo Semente, Nos Jardins da Terra Azul, Moacyr Camargo, as músicas Trocando de Roupa e As Mesas Girantes, de Marcos Canduta e Jaime Togores, entre outras. Existem aquelas para nós refletirmos com sua letra, como Expressão Maior, de Noel Rosa, por Marta Gallego Thomaz, Real Dimensão de César Túlio Tucci, Dê Uma Chance à Vida do GAN.

No meio espírita, como proceder? Na minha opinião, a proporção adequada seria aquela adotada pelo Projeto Coral Espírita, que é de 60% de músicas espíritas e 40%, não. Não rejeitamos as músicas de outros autores e privilegiamos a nossa. Outro ponto em que opino é que JAMAIS tenhamos preconceito com ritmos, quaisquer que sejam eles, apenas devemos usá-los criteriosamente. Finalizando, devo indicar uma pequena Bibliografia para se aprofundar mais no assunto: O Espiritismo na Arte, de Leon Denis, Ed. Lachatre; Arte e Espiritismo – ed. Celd, Obras Póstumas, Teoria da Beleza, Música Celeste. Sites: www.espirito.org.br; www.fecef.com.br ou www.institutoarteevida.org.br; www.musicexpress.com.br; Convido a todos os que queiram, a participar do Coral Espírita AFAG Luzencanto, para cantarmos a Doutrina em conjunto. Para Concluir, transcrevo o poema de Expressão Maior para que nos balizemos por ele, na hora de discutir música no meio espírita. Não pode a humanidade condenar o samba julgando-o profano Pois a música é a maior expressão do sentimento humano Não é a melodia que incentiva a maldade ou a corrupção Em samba ou sinfonia mostra o cantador sua evolução. Ensinamos crianças contando historinhas a conhecer Jesus O letrado aprende através da Ciência o caminho da luz Aprendemos servir ao nosso mestre amado amando nosso irmão Pois, a malandro velho se ensina o Evangelho é com samba-canção. E, com a lição de Noel Rosa, concito a todos os interessados e aqueles que irão lidar com a Arte no meio espírita a estudar as obras kardequianas e as indicadas, para que possam falar embasadamente sobre o tema, divulgando corretamente o Espiritismo pela Arte.(Fonte, Valdemagno Silva Torres)



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